Copom | Primeiras Impressões: Banco Central deu sequência ao ciclo de corte de juros e levou a Selic de 14,50% para 14,25%
Por Marcela Kawauti, Economista-chefe na Lifetime
Em decisão unânime, o Copom cortou a Selic em 0,25 p.p. pela terceira reunião consecutiva levando a taxa de 14,50% para 14,25% a.a..
O tom do comunicado mais uma vez deu peso às incertezas relacionadas ao contexto externo mais adverso combinado com pressões internas sobre a inflação de demanda. Com relação ao conflito no Oriente Médio, o comitê destacou que há incerteza tanto em relação aos termos do acordo de cessar fogo quanto em relação aos efeitos já materializados dos mais de 100 dias de conflito. Sobre o cenário doméstico pesam riscos inflacionários importantes. A economia brasileira reaqueceu no primeiro trimestre colocando o crescimento da atividade acima do potencial. A inflação corrente tem se distanciado da meta e há riscos potenciais de efeitos de segunda ordem, ou seja, contágio do choque de commodities sobre os demais preços da economia. Por fim, as expectativas seguem desancoradas e os resultados do modelo do Banco Central trouxeram piora na inflação deste ano (de 4,6% para 5,2%) e no ano que vem (de 3,5% para 3,7%).
Apesar do cenário de incerteza externa e riscos domésticos, o Copom entendeu que havia espaço para mais um corte de juros. Na leitura dos membros, o grau de restrição acumulado de política monetária tem impacto importante e defasado sobre a variação de preços, suficiente para continuar assegurando a trajetória de convergência à meta. Os próximos passos de política monetária estarão, no entanto, fortemente dependentes de dados: não só os impactos adicionais do choque de petróleo sobre a economia brasileira, mas também os efeitos concretos do acordo de cessar fogo anunciado no fim de semana.
