IPCA de junho desacelera mais do que o esperado e passa de 0,58% para 0,16%
(Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos)
A variação de preços ao consumidor medidos pelo IPCA surpreendeu positivamente com números abaixo do esperado . O dado recuou de 0,58% em maio para 0,16% em junho, cerca de metade do esperado na mediana de mercado (0,31%). A dissipação dos efeitos do choque de commodities já começa a trazer alívio para os preços ao consumidor.
O grupo Alimentação e Bebidas passou de uma alta de 1,33% em maio para -0,24% em junho e o grupo Transportes ficou praticamente estável no mês (+0,03%). Na direção oposta, o principal impacto altista no mês veio de Habitação (+0,63%) por conta de energia elétrica residencial.

O índice acumulado em 12 meses desacelerou de 4,72% para 4,64% entre maio e junho, o primeiro recuo nesta base de comparação desde fevereiro. O grupo alimentação no domicílio ficou em 3,01%, muito próximo dos 2,97% do mês anterior. Por fim, o grupo monitorados passou de 5,85% para 5,52% por conta da acomodação em combustíveis.
A análise de pressões além dos efeitos do choque internacional de comodities também mostrou uma bem-vinda acomodação. O grupo de serviços passou de 5,97% para 5,90%, ainda em patamar elevado, mas com algum arrefecimento. Além disso, o núcleo que exclui preços de alimentação e combustíveis passou de 4,73% para 4,68% .
Em resumo, os dados da inflação de junho trouxeram boas notícias com a diminuição dos efeitos do choque de commodities e das pressões internas de demanda. O resultado deve reforçar expectativas de corte de juros pelo Copom, mas não deve afastar a postura conservadora da instituição que ainda precisa lidar com inflação corrente acima da meta e expectativas desancoradas.
