Primeiras Impressões: IPCA de maio desacelera de 0,67% para 0,58%, mas pressões de demanda e do choque de oferta persistem
por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A variação de preços ao consumidor medidos pelo IPCA ficou em 0,58% em maio, abaixo dos 0,67% de abril e ligeiramente acima das expectativas que estavam em torno de 0,55%. O índice segue pressionado pelos efeitos do conflito no Oriente Médio e do choque de commodities com alta relevante em Alimentação e Bebidas (+1,33%) que trouxe um impacto de 0,29 p.p. para o índice total. Por outro lado, após a alta de 0,06% em Transportes em abril, o grupo passou para -0,46% em maio com desaceleração do impacto de gasolina e diesel. Vale destacar também o impacto altista de Habitação no mês (+1,22%) por conta de energia elétrica residencial.

O índice acumulado em 12 meses avançou de 4,39% para 4,72% entre abril e maio e a sua análise traz uma visão mais clara das pressões (novas e antigas) sobre o índice. O grupo alimentação no domicílio, que vinha desacelerando desde meados do ano passado, ajudado pelo câmbio e pela safra, voltou a subir a partir do início do conflito no Oriente Médio e ficou em 2,97% em abril ante 1,32% no mês anterior. Além disso, o grupo monitorados passou de 6,13% para 5,85% por conta da acomodação em combustíveis.
Há, no entanto, pressões que vão além dos efeitos do choque internacional de comodities. O grupo de serviços apresentou um repique de 5,75% para 5,97% após dois meses consecutivos de desaceleração, evidenciando pressões de demanda. Além disso, o núcleo que exclui preços de alimentação e combustíveis passou de 4,53% para 4,73%.

Em resumo, os dados da inflação de maio confirmam os efeitos prejudiciais do choque de commodities sobre a inflação ao consumidor brasileiro. Além disso, as pressões internas de demanda (medida pelos preços de serviços) intensificam a alta geral dos preços. Neste contexto, e dado o aumento de incertezas em relação ao futuro da inflação, o Banco Central Brasileiro deve apresentar uma postura bastante conservadora na reunião do Copom na semana que vem.
