Primeiras Impressões: Prévia da inflação de junho fica abaixo do esperado, mas pressões de demanda persistem
por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A prévia da inflação ao consumidor medida pelo IPCA-15 passou de 0,62% em maio para 0,41% em junho, um pouco abaixo dos 0,44% esperados pelos analistas de mercado. A desaceleração do índice foi puxada pelos grupos Alimentação e Bebidas (de 1,38% para 0,74%) por conta do esvaziamento dos efeitos do choque de commodities advindo da guerra no Oriente Médio que encareceu o frete e o transporte de produtos in natura. Também foram registradas variações menores em Habitação (de 1,03% para 0,72%) e Saúde e cuidados pessoais (de 1,05% para 0,47%) com menor efeito do reajuste em energia elétrica e nos medicamentos, respectivamente.
Apesar da desaceleração que trouxe melhora na comparação mensal, o acumulado em 12 meses ainda registra viés altista e registrou avanço de 4,64% para 4,80% com especial destaque para as pressões de demanda. Neste sentido, a inflação de serviços desacelerou de 0,48% para 0,40% no mês, mas se mantém acima dos 6,00% na base de comparação anual: passou de 6,16% para 6,25% entre maio e junho. O grupo Alimentação no Domicílio também avançou de 2,26% para 3,40% e os monitorados desaceleraram de 5,91% para 5,50% a medida que os efeitos do choque de petróleo sobre combustíveis começaram a se dissipar.
A análise mais detalhada dos efeitos da guerra sobre a inflação brasileira pode ser feita por meio do núcleo que exclui os preços de alimentação e combustíveis. O indicador ficou em 4,80% no mês, acima dos 4,64% do mês anterior, indicando a possibilidade de repasse dos efeitos da guerra para os demais preços da economia.
*A prévia de inflação de junho trouxe, portanto, uma melhora no curto prazo capturado pela leitura mensal. Uma análise mais ampla dos dados acumulados em 12 meses, no entanto, mostra que ainda há efeitos importantes do choque de commodities sobre a inflação brasileira que se somam à forte pressão de demanda presente desde o ano passado. Os dados mantêm a perspectiva de viés conservador e dependente de dados na política monetária.
