Primeiras Impressões: Prévia da inflação de maio fica acima do esperado com retomada da alta dos preços de serviços
Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A prévia da inflação ao consumidor medida pelo IPCA-15 passou de 0,89% em abril para 0,62% em maio, acima da expectativa de mercado. A principal influência altista para o índice veio de Alimentação e Bebidas (1,38%), refletindo os efeitos da alta do petróleo (por conta do conflito no Oriente Médio), e consequentemente a alta no custo de frete e transporte de produtos in natura. Também foram registrados aumentos de preços de Habitação (1,03%, puxada pela bandeira amarela que encarece a energia elétrica residencial) e Saúde e cuidados pessoais (1,05% impactado pelo reajuste de medicamentos e de produtos de higiene pessoal), o que indica que há pressões que vão além dos impactos diretos do conflito.

No acumulado em 12 meses, o índice passou de 4,37% para 4,64%, acima do teto da meta (4,50%) pela primeira vez desde outubro do ano passado. A análise dos principais núcleos mostra que há pressão inflacionária além dos impactos diretos do choque de commodities. O grupo Alimentação no Domicílio avançou de 0,82% para 2,26% e os monitorados registraram 5,91%, ante 6,13% no mês anterior. Os preços de serviços, que vêm pressionando a inflação desde medos do ano passado, voltaram a subir e passaram de 5,80% para 6,16%.

A análise mais detalhada dos efeitos da guerra sobre a inflação brasileira pode ser feita por meio do núcleo que exclui os preços de alimentação e combustíveis. O indicador ficou em 4,76% no mês, acima dos 4,64% do mês anterior, indicando a possibilidade de repasse dos efeitos da guerra para os demais preços da economia.
A prévia de inflação de maio trouxe, portanto, piora no índice cheio puxado principalmente pelos preços de alimentação e pela retomada da alta dos preços de serviços. Os dados reforçam a perspectiva de viés conservador e dependente de dados na política monetária.
