Comunicado do FOMC | Primeiras Impressões: Em meio às incertezas da guerra, FOMC manteve os juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% a.a. pela segunda reunião consecutiva
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Na segunda reunião consecutiva em 2026, o Banco Central americano decidiu pela manutenção dos FED Funds no intervalo entre 3,50% e 3,75% a.a. O resultado veio dentro do esperado e trouxe apenas uma dissidência: Stephen Miran votou a favor de uma queda de 0,25 p.p., repetindo a postura mais flexível das quatro reuniões anteriores. O dirigente acumula o cargo de Assessor Econômico da Casa Branca e tem demonstrado alinhamento com o presidente Donald Trump em defesa de taxas de juros mais baixas.
O comunicado que acompanhou a decisão trouxe poucas mudanças relevantes. A economia americana ainda apresenta expansão sólida, com poucas alterações na taxa de desemprego. Em um ambiente de elevação das tensões geopolíticas, o documento observou que os impactos dos eventos no Oriente Médio sobre a economia americana são incertos.
Ainda assim, a piora do ambiente internacional parece ter sido a base para mudanças nas projeções dos membros da instituição. Chama a atenção a revisão para cima dos dados de inflação ao consumidor neste ano: de 2,4% para 2,7% no índice cheio e de 2,5% para 2,7% no núcleo. Além disso, as projeções para a atividade parecem mais positivas tanto para 2026 quanto para 2027. Não houve, no entanto, mudança nas expectativas de juros, que embutem apenas um corte até o final do ano.
Nesse cenário, o Banco Central americano afirmou que a extensão e o momento de ajustes adicionais serão avaliados de acordo com a evolução dos dados econômicos, mesma expressão usada no documento anterior. O cenário-base da maior parte dos analistas é de manutenção dos juros no primeiro semestre de 2026, com a retomada de cortes na segunda metade do ano, condicionada à evolução dos dados e aos impactos da guerra.
