Copom | Primeiras Impressões: Banco Central deu sequência ao ciclo de corte de juros de maneira conservadora e levou a Selic de 14,75% para 14,50%
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Em decisão unânime e em linha com as expectativas de mercado, o Copom cortou a Selic em 0,25 p.p. pela segunda reunião consecutiva, levando a taxa de 14,75% para 14,50% a.a. O tom do comunicado, mais uma vez, deu peso às incertezas relacionadas ao contexto externo mais adverso.
De acordo com o colegiado, a indefinição em relação à duração, à extensão e aos desdobramentos do conflito exige cautela na condução da política monetária. O aumento dos preços de commodities já afeta a inflação corrente, que se distanciou ainda mais da meta. Também houve efeito sobre as expectativas, que passaram de 4,1% para 4,9% e de 3,8% para 4,0% em 2026 e 2027, respectivamente.
Além dos efeitos da guerra, duas menções merecem destaque no comunicado. Com relação à atividade econômica, ainda que haja tendência de desaceleração, os indicadores mostraram recuperação no início de 2026 em relação ao final do ano passado. O colegiado também destacou que há risco de incorporação dos efeitos de segunda ordem nas expectativas de horizontes mais longos, o que significaria o contágio dos produtos naturalmente afetados pela guerra (alimentação e combustíveis) para os demais preços da economia.
Com relação aos próximos passos, o Comitê manteve o tom de dependência de dados. O colegiado destacou que ajustes no ritmo de queda dependerão de novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
