COPOM Junho | Primeiras Impressões: Banco Central eleva a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, passando de 14,75% para 15,00% a.a.
Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Em decisão unânime, o Copom adicionou 25 pontos base à Selic, levando os juros básicos de 14,75% para 15,00% a.a.. Vale destacar que este patamar superou as máximas recentes, observadas ali por 2016. Além disso, essa foi a sétima alta consecutiva desde o início do aperto monetário em setembro, somando um total contracionista de 475 pontos base.
O Copom destacou o aumento da incerteza, especialmente por conta da política comercial e fiscal nos Estados Unidos, além do acirramento das tensões geopolíticas. Tudo isso vem gerando dúvidas em relação ao futuro daquela economia, bem como seus efeitos sobre o crescimento e as condições financeiras globais. Em relação ao cenário doméstico, o comunicado ressaltou que o mercado de trabalho ainda apresentou algum dinamismo, apesar de uma certa moderação no crescimento.
O Copom reconhece que a inflação segue acima da meta, mas que há riscos de alta e de baixa mais elevados que o usual. Por um lado, temos a desancoragem de expectativas, resiliência da alta dos preços de serviços, políticas econômicas internas e externas que trazem impacto inflacionário e depreciação persistente do câmbio. Por outro, a possibilidade de desaceleração mundial mais pronunciada e potencial queda dos preços das commodities. A projeção do modelo do Copom para o horizonte relevante (2026) se manteve estável em 3,6%, o que é bastante positivo, após várias rodadas de elevação em reuniões anteriores, embora os números tenham se mantido acima da meta de 3,0%.
O comitê justificou a alta neste encontro tendo em vista a necessidade de assegurar a convergência de inflação à meta em um ambiente de expectativas desancoradas. Com relação aos próximos passos, no entanto, o Banco Central antecipou uma interrupção no ciclo de alta, mas indicou sua manutenção neste patamar por um período bastante prolongado.
