Copom | Primeiras Impressões: Finalizando as indicações de dezembro, Banco Central elevou os juros em 100 bps de 13,25% para 14,25% a.a.
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Em decisão unânime e de acordo com o antecipado, o Copom adicionou 100 pontos base à Selic e levou os juros básicos de 13,25% para 14,25% a.a. chegando ao maior patamar desde 2016. Essa foi a quinta alta consecutiva, desde o início do aperto monetário em setembro, somando um total contracionista de 400 pontos base. O movimento mais recente é o último do foward guidance indicado na reunião de dezembro, quando a presidência da instituição ainda estava sob a liderança de Roberto Campos Neto.
Dado o movimento dentro do esperado, as atenções dos analistas recaíram sobre o comunicado e sobre o diagnóstico da equipe de Gabriel Galípolo a respeito da evolução dos índices de preços e as indicações sobre os próximos passos da autoridade monetária. O Copom destacou o aumento da incerteza por conta da política comercial nos Estados Unidos que gera dúvidas em relação ao futuro daquela economia e seus efeitos sobre o crescimento mundial. No Brasil, o comunicado ressaltou que o mercado de trabalho segue dinâmico, apesar da moderação incipiente na atividade.
Este contexto mantém a assimetria altista nos riscos prospectivos para a inflação, com destaque para desancoragem de expectativas, resiliência da alta dos preços de serviços e políticas econômicas interna e externa que trazem impacto inflacionário. A autoridade monetária destacou que a reação dos agentes ao regime fiscal e seus efeitos sobre a sustentabilidade da dívida também contribuiu para os riscos à estabilidade de preços.
Por outro lado, as projeções do modelo do Copom trouxeram uma surpresa positiva com queda da previsão de inflação para este ano (de 5,2% para 5,1%) e no horizonte relevante (de 4,0% para 3,9% para o 3º trimestre do ano que vem), embora os números tenham se mantido acima da meta de 3,0%. Boa parte da revisão, no entanto, se deve a uma mudança de premissa para o câmbio (de R$/ USD 6,00 para 5,80), o que pode não se confirmar.
Com relação aos próximos passos, o Banco Central indicou que haverá um ajuste de menor magnitude na próxima reunião, marcada para 07 de maio. Com relação aos encontros seguintes, o Copom afirmou que será guiado pelo compromisso de convergência da inflação à meta e evolução das variáveis macroeconômicas, ou seja, estará fortemente dependente de dados.
