CPI Julho | Primeiras Impressões: Inflação ao consumidor americano incorpora efeitos das tarifas e segue pressionada
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os efeitos da nova política comercial americana começam a se fazer presentes na inflação ao consumidor, segundo os dados de julho. No acumulado em 12 meses, o índice cheio do CPI ficou em 2,7%, repetindo a variação registrada no mês anterior, e no nível mais alto desde novembro do ano passado. A métrica que exclui itens mais voláteis (alimentação e energia) avançou de 2,9% para 3,1%.
A abertura do indicador mostra que a pressão dos preços de serviços segue bastante preponderante. A variação de custos desse grupo segue em 3,8% na comparação anual. Os preços de bens duráveis também avançaram (de 0,6% para 1,2%) registrando os primeiros efeitos da vigência das novas alíquotas incidentes sobre bens importados.
Vale destacar, entretanto, que o pico desses efeitos das tarifas norte-americanas será sentido apenas a partir dos dados referentes a agosto. Em primeiro lugar, apenas parte dos anúncios já entrou em vigor até julho, e boa parte das novas medidas entraram em vigor a partir desse mês. Além disso, houve uma boa dose de antecipação de compras entre os meses de fevereiro e março, antes dos anúncios mais robustos.
A inflação acima da meta e em aceleração, somada às incertezas em relação ao cenário prospectivo, exercem pressão importante sobre a autoridade monetária. Por outro lado, sinais de desaceleração vindos do mercado de trabalho argumentam a favor da retomada do ciclo de corte de juros.
Por ora, o mercado espera queda nos FED funds já a partir de setembro, mas os próximos passos do Banco Central americano serão fortemente dependentes da evolução dos dados econômicos e das próximas rodadas de negociações e retaliações vindas como respostas ao aumento das tarifas norte-americanas.
