CPI agosto 2025 | Primeiras Impressões: Inflação ao consumidor americano acelera em linha com as expectativas de mercado
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A incorporação dos efeitos da nova política comercial externa pressionou a inflação ao consumidor americano em agosto. O índice cheio do CPI ficou em 2,9% no acumulado em 12 meses, acima da variação registrada no mês anterior (2,7%) e no nível mais alto desde o final do ano passado. A métrica que exclui itens mais voláteis (alimentação e energia) se manteve em 3,1%, mesmo nível do mês anterior. Ambos os dados vieram em linha com o esperado pelos analistas de mercado.
A abertura do indicador mostra que a pressão dos preços de serviços segue bastante preponderante. A variação de custos deste grupo segue em 3,8% na comparação anual, repetindo a variação pelo terceiro mês consecutivo. Também foram registrados efeitos da vigência das novas alíquotas sobre bens importados. Os bens duráveis avançaram de 1,2% para 1,9% e os de bens não duráveis passaram de 0,5% para 1,1%.

A inflação acima da meta – e em aceleração – coloca pressão importante sobre a autoridade monetária. Por outro lado, sinais de desaceleração bem mais forte que o antecipado – vindos do mercado de trabalho – argumentam a favor da retomada do ciclo de corte de juros. A comunicação recente indica que a autoridade monetária, frente a seu duplo mandato, deve privilegiar a atividade com corte de juros a partir da reunião marcada para 17 de setembro. A evolução dos dados econômicos e das próximas rodadas de negociações e retaliações vindas como respostas ao aumento das tarifas americanas serão cruciais para determinar o passo da retomada do ciclo de estímulo monetário.
