CPI | Primeiras Impressões: Inflação ao consumidor americano sobe menos que o esperado e dá força ao ciclo de corte de juros
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A incorporação dos efeitos da nova política comercial externa pressionou a inflação ao consumidor americano em setembro em intensidade menor que a esperada pelos analistas. O índice cheio do CPI avançou 3,0% no acumulado em 12 meses, acima do registrado no mês anterior (2,9%). Apesar da alta, o resultado ficou abaixo dos 3,1% esperados pelo mercado. A métrica que exclui itens mais voláteis (alimentação e energia) avançou menos que o projetado (3,1%) com variação de 3,0% na mesma comparação. Neste caso, houve inclusive recuo em relação aos 3,1% do mês anterior.
Na mesma base de comparação, os bens duráveis avançaram 1,8% – ante 1,9% no mês anterior – e os bens não duráveis aceleraram de 1,1% para 2,0%. Esses grupos têm sido pressionados pelo aumento das alíquotas sobre produtos importados pelos americanos. Por outro lado, há boas notícias em relação à pressão de demanda sobre os preços finais. A variação de custos de serviços passou de 3,8% para 3,6%, no menor nível desde 2021.
A abertura do indicador mostrou que, por enquanto, a inflação vinda da política protecionista permanece com efeitos limitados, reforçando o diagnóstico do Banco Central americano que indica caráter temporário desse efeito. O corte de juros iniciado na última reunião do FOMC deve ter, portanto, continuidade no encontro marcado para a próxima semana.
