Comunicado do FOMC Junho | Primeiras Impressões: FED mantem os juros no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a., em linha com as expectativas do mercado
Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
O Federal Reserve manteve as taxas básicas de juros no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. Depois de três cortes seguidos, que somaram 100 p.p. de flexibilização das taxas de juros ao longo do final do ano passado, a autoridade vem dando sequência à sua estratégia de pausa no ciclo. Apesar disso, o resultado veio dentro do esperado pelos analistas, que se mostravam mais apreensivos com relação a comunicação da autoridade monetária e de seu diagnóstico frente a nova política externa americana, bem como a escalada das tensões no Oriente Médio.
O comunicado que acompanhou a decisão trouxe poucas alterações no texto em relação à reunião anterior. O FED observou que o mercado de trabalho continua se expandindo a um ritmo sólido, com a taxa de desemprego estável em patamar baixo. A inflação, por outro lado, continua alta. A autoridade monetária ponderou, no entanto, que a incerteza em relação ao cenário econômico segue elevada, ainda que com moderação em relação à reunião anterior realizada em maio.
As projeções dos membros do comitê, no entanto, trouxeram alterações importantes na comparação com a última atualização feita no primeiro trimestre (março). Houve piora nos números esperados para a inflação, tanto no índice cheio quanto no núcleo que exclui itens mais voláteis (alimentação e energia). Na outra direção, a expectativa para o PIB americano diminuiu. Além disso, houve uma pequena elevação na expectativa para os juros básicos.
O comunicado reforçou, portanto, o cenário desafiador para a política monetária, com pressão do mercado de trabalho sobre a inflação ao mesmo tempo que há muita incerteza em relação à evolução da economia. Neste cenário, o colegiado não deu indicações de retomada do ciclo de queda de juros na próxima reunião. A continuidade e velocidade do ciclo de queda dependerá, portanto, da evolução dos dados do mercado de trabalho e da retomada da convergência da inflação ao consumidor em direção à meta de 2%.
