Comunicado do FOMC | Primeiras Impressões: FED retomou o ciclo de corte e levou juros para o intervalo entre 4,00% e 4,25% a.a.
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Após seguir um plano de voo mais cauteloso desde o início do ano, o Banco Central americano decidiu por uma queda na taxa básica de juros, do intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. para uma banda inferior, entre 4,00% e 4,25% a.a. A flexibilização veio dentro do esperado pelos analistas, mas houve a dissidência de um diretor, que votou a favor de uma queda de 50 bps. Tanto o comunicado quanto a coletiva de imprensa de Jerome Powell, presidente da instituição, trouxeram alterações importantes que indicam mudança no balanço de riscos para a economia americana.
O Fed observou que o cenário está mais desafiador, com desaceleração importante do mercado de trabalho e aumento da taxa de desemprego, em meio a um ambiente de inflação mais alta. A autoridade monetária se depara, portanto, com uma escolha complexa entre as duas pontas de seu duplo mandato. Mas os riscos relacionados à desaceleração da atividade parecem ter se sobreposto aos riscos relacionados ao aumento de preços, autorizando a retomada da flexibilização.
As projeções dos membros do colegiado também foram alvo de atenção dos analistas, que buscaram mais informações acerca das expectativas para a economia americana. Para a inflação ao consumidor em 2025, houve manutenção da mediana em 3,0% para o índice cheio; e, para o núcleo que exclui os itens mais voláteis (alimentos e energia), houve avanço para 3,1%. Para 2026, houve revisão altista: de 2,4% para 2,6% em ambos os casos. E, apesar da desaceleração do mercado de trabalho, as expectativas de crescimento do PIB também apresentaram revisão para cima: 1,6% em 2025 e 1,8% em 2026.
Com relação ao movimento nas próximas reuniões (marcadas para outubro e dezembro), o Fed indicou que, confirmado o cenário esperado, haverá cortes adicionais. Nesse sentido, a mediana de projeções para os Fed Funds ao final de 2025 está em 3,6% (abaixo dos 3,9% nas projeções divulgadas em junho), o que sugere dois cortes de 0,25 nas reuniões restantes do ano.
Para 2026, as projeções sugerem ao menos mais uma flexibilização, para 3,4%.
