IBC-BR junho 2025 | Primeiras Impressões: IBC-Br trouxe desaceleração da atividade econômica mais forte do que o antecipado
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
O IBC-Br, uma medida ampla que compila a evolução da atividade econômica brasileira mês a mês, recuou 0,1% em junho de 2025 em relação ao período anterior, abaixo da expectativa do mercado, que era de estabilidade. Na comparação com o mesmo mês de 2024 a alta foi de 1,4%, o que demonstra importante desaceleração em relação aos 3,5% do mês anterior.
Os números indicam perda de ímpeto da economia brasileira. O movimento já vinha sendo antecipado como resposta defasada ao ciclo de alta de 450 pontos base na Selic, promovido pelo Banco Central entre setembro de 2024 e junho de 2025. Mas ainda que a perda de intensidade da atividade tenha sido mais forte do que o previsto, os dados indicam que a desaceleração deve ser bastante ordenada.
A análise por setores mostra que a agropecuária trouxe a queda mais pronunciada (-2,3%), na quarta desaceleração consecutiva na comparação mensal. Também vimos que a indústria recuou, mas com intensidade mais moderada: -0,1%. O setor de serviços, por outro lado, segue bastante resiliente, apresentando leve expansão (+0,1%) em relação ao mês anterior.
A desaceleração da economia é variável bastante relevante para a discussão do timing do início do ciclo de corte de juros pelo Copom. As expectativas estão divididas entre o final de 2025 e o início de 2026. Após o enfraquecimento da economia, o efeito do ciclo de alta de juros ainda precisa ser sentido pelos preços de serviços, que se mantêm teimosamente acima dos 6,0%. O mercado de trabalho aquecido ainda pressiona o custo real dos salários e o seu reequilíbrio será crucial para diminuir o viés conservador do Banco Central.
