IPCA-15 março | Primeiras Impressões: Prévia da inflação fica em 0,89% em abril e dado anual se aproxima do teto da meta
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A prévia da inflação ao consumidor, medida pelo IPCA-15, passou de 0,44% em março para 0,89% em abril, refletindo os efeitos do choque de commodities advindo do conflito no Oriente Médio. As principais influências altistas para o índice vieram dos grupos Alimentação e Bebidas (+1,46%) e Transportes (+1,34%), impulsionados pela alta nos preços de petróleo e fertilizantes.
No acumulado em 12 meses, o índice passou de 3,90% para 4,37%, aproximando-se do teto da meta (4,50%). A análise dos principais núcleos mostra que a pressão inflacionária, por ora, está limitada aos efeitos do choque de commodities. O grupo Alimentação no Domicílio avançou de 0,3% para 0,8%, e os Monitorados passaram de 4,4% para 6,1%. Por outro lado, os preços de serviços trouxeram boas notícias, com o recuo de 6,0% para 5,8%.
A análise mais detalhada dos efeitos da guerra sobre a inflação brasileira pode ser feita por meio do núcleo que exclui os preços de alimentação e combustíveis. O indicador ficou em 4,64% no mês, abaixo dos 4,72% do mês anterior, corroborando o diagnóstico de efeito contido da guerra sobre os itens mais voláteis.
A prévia da inflação de abril trouxe, portanto, piora no índice cheio, puxada pelos preços de alimentação e combustíveis, e em parte contrabalançada pela melhora dos preços de serviços. Os dados mantêm a perspectiva de continuidade das quedas da taxa de juros Selic, ainda que o tamanho total do ciclo esteja limitado pelos efeitos inflacionários da guerra no Oriente Médio.
