IPCA-15 agosto | Primeiras Impressões: desaceleração da prévia da inflação ao consumidor não dissipa pressões e Copom deve manter os juros em 15% nas próximas reuniões
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A prévia da inflação ao consumidor medida pelo IPCA-15 recuou fortemente na comparação mensal, passando de 0,33% em julho para -0,14% em agosto, levemente acima das expectativas de mercado (-0,20%). Em que pese a sazonalidade favorável na passagem do primeiro para o segundo semestre, o dado divulgado foi o melhor para o mês desde 2022 (-0,73%) quando o índice foi ajudado pela isenção de imposto sobre combustíveis. A variação negativa nos preços ao consumidor foi puxada pela queda em 4 dos 9 grupos pesquisados: Alimentação e Bebidas (-0,53%), Habitação (-1,13%), Transportes (-0,47%) e Comunicação (-0,17%). O maior destaque foi a contribuição de -0,20 p.p. vindo da deflação da energia elétrica residencial, que ocorreu em resposta à incorporação de bônus de Itaipu nas contas dos consumidores. Ou seja, excluída a variação deste item, o IPCA-15 ficaria no campo positivo em +0,06%.
No acumulado em 12 meses, também houve desaceleração no índice: de 5,30% em julho para 4,95% em agosto, o primeiro resultado abaixo de 5,00% desde fevereiro deste ano. Em que pese a variação mais baixa, a composição do IPCA-15 trouxe sinais mistos. Por um lado, houve melhora nos grupos de bens industriais (ajudados pelo câmbio) e monitorados (por conta da deflação nos preços de energia residencial). Na outra direção, no entanto, os preços de serviços voltaram a se aproximar dos 6,0% respondendo à pressão do mercado de trabalho aquecido. Também os preços de alimentação em domicílio avançaram para 7,25% em 12 meses, uma vez que a deflação deste grupo em 2024 era mais pronunciada do que a atual.

A prévia de inflação trouxe, portanto, piora qualitativa apesar do processo de desaceleração do índice cheio. Em contraposição à ajuda do câmbio, os preços de serviços seguem pressionados pelo mercado de trabalho aquecido – que impulsiona a inflação de demanda. Não há mudança, portanto, nas expectativas de manutenção de juros em 15% nas próximas reuniões do Copom, com o início do ciclo de queda apenas na virada de 2025 para 2026.
