IPCA Julho | Primeiras Impressões: Desaceleração do IPCA surpreende e índice chega a 5,23% no acumulado em 12 meses
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os preços ao consumidor apresentaram elevação de 0,26% em julho, segundo o IPCA, próximo dos 0,24% de junho e bem abaixo dos 0,36% esperados pelo mercado. Na comparação mensal, o grupo alimentação e bebidas (com peso de 21,8% – o maior no índice) registrou recuo de 0,27%, puxado pela queda nos alimentos no domicílio (-0,69%), que mais que compensou a alta de alimentação fora do domicílio (0,87%).
O comportamento deste grupo foi responsável pela principal pressão baixista nesta divulgação. Além disso, o grupo vestuário apresentou queda de 0,54%, o que também contribuiu para que a inflação geral ficasse mais baixa. Na outra direção, a alta de 3,04% no custo da energia elétrica residencial puxou os preços do grupo de habitação para cima (0,91% no mês).

No acumulado em 12 meses, podemos observar que o índice segue acima da meta, mas em (bem-vinda) trajetória de desaceleração. A variação ficou em 5,23%, ante 5,35% no mês anterior. Dentre os principais grupos, apenas alimentação no domicílio avançou no período, com recuo para 6,23% em julho, frente aos 7,11% registrados até junho.
Ainda que o grupo esteja desacelerando na comparação mensal, muito em função da evolução recente do câmbio, a queda é menor que a do ano passado, quando os preços se recuperavam das altas provocadas por eventos climáticos. Os preços de serviços ficaram em 6,00%, menor do que os 6,17% do mês anterior, mas ainda acima da média de 5,4% dos 6 meses anteriores. Por fim, os bens industriais passaram de 3,77% para 3,38%.
Os dados da inflação ao consumidor trouxeram, mais uma vez, sinais mistos em julho. Por um lado, há impacto benigno de desaceleração dos custos de produtos importados e commodities cotadas em câmbio, como alimentos, vestuário e bens industriais. Por outro, ainda há pressão relevante proveniente dos preços de serviços inflacionados pelo mercado de trabalho aquecido.
Mantemos, portanto, nossa expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado por bastante tempo, uma vez que ainda existem riscos inflacionários importantes – como expectativas acima da meta no horizonte relevante, pressão de demanda e incertezas fiscais – que demandam postura conservadora por parte do Banco Central. A queda na taxa de juros deve ocorrer quando essas pressões se dissiparem de maneira mais concreta.
