Payroll Janeiro | Primeiras Impressões: Mercado de trabalho americano surpreende com dados positivos em janeiro, mas revisão da série histórica indica fraqueza
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os dados do mercado de trabalho americano trouxeram números melhores do que o esperado em janeiro. Foram criadas 130 mil vagas no mês, acima das 65 mil esperadas e das 48 mil registradas em dezembro (revisado ante as 50 mil vagas divulgadas anteriormente). Apesar do resultado recente bastante animador, a revisão para baixo dos períodos anteriores mostra que o crescimento do emprego nos Estados Unidos ocorre a partir de uma base mais baixa do que a antecipada.
Houve forte revisão da série histórica para baixo desde 2021, mas com mais intensidade a partir de 2024. Ao longo de 2025, foram criadas apenas 181 mil vagas (mais de 400 mil a menos do que o divulgado anteriormente), resultando em uma média mensal de 15 mil, a pior desde a pandemia de Covid-19.
Apesar da forte revisão para baixo na criação de vagas, os dados mostraram persistência na pressão inflacionária vinda do mercado de trabalho, ainda que menos intensa do que em meses anteriores. Os ganhos por hora, na comparação anual, mantiveram-se em 3,7%, mesma variação de dezembro e menor do que o pico de 3,9% verificado entre outubro e novembro. A variação segue acima da meta de inflação (2%), sugerindo pressão de demanda sobre os preços, com especial impacto sobre os custos de serviços.

A importância dos dados do mercado de trabalho (payroll) é consenso entre os economistas. Os números medem, de forma bastante ampla, a temperatura da economia americana, seja do lado da atividade, seja do lado da inflação. Por isso, sua divulgação é sempre uma baliza relevante para as medidas de política monetária. Os dados mais recentes trouxeram sinais importantes de desaquecimento, com alguma melhora na ponta, acompanhados de persistência da pressão de demanda. A divulgação reforça as expectativas de que o Banco Central americano poderá implementar mais dois cortes de juros em 2026, ainda que esse afrouxamento monetário não ocorra na próxima reunião de março.
