Payroll julho 2025 | Primeiras Impressões: Mercado de trabalho americano surpreende com criação de vagas abaixo do esperado e fortes revisões nos meses anteriores
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os dados do mercado de trabalho americano divulgados hoje mostraram desaceleração bem mais forte do que o antecipado. A criação de novas vagas no mês de julho foi de 73 mil, ante expectativa de mercado de números acima dos 100 mil. Além disso, houve forte revisão nos dados de maio (de 144 mil para 19 mil) e junho (de 147 mil para 14 mil) que somam 258 mil postos de trabalho abaixo da divulgação anterior. A forte revisão, de acordo com o Escritório de Estatísticas de Trabalho (Bureau of Labor Statistics) aconteceu por conta de novas informações e recálculo de fatores sazonais.
Com este resultado, a média mensal de vagas de 2025 ficou em 85 mil, menor que os anos anteriores e no pior resultado desde a pandemia, e a taxa de desemprego avançou de 4,1% para 4,2%.
Apesar da forte desaceleração na criação de vagas, a pressão inflacionária vinda do mercado de trabalho ainda não se dissipou. Os ganhos por hora na comparação anual avançaram de 3,8% para 3,9% entre junho e julho, de volta ao observado em março deste ano. O patamar ainda é bastante elevado, especialmente quando comparado à meta de inflação de 2,0%, e sugere que ainda há pressão de demanda sobre os preços, com especial impacto sobre os custos de serviços.

Os números trazem, portanto, sinais mistos para a economia americana e um cenário desafiador para a autoridade monetária que tem duplo mandato (manutenção do crescimento e estabilidade de preços). Por um lado, há uma desaceleração importante e maior que a antecipada na criação líquida de vagas, resultado das incertezas relacionadas aos impactos da nova política externa norte-americana. Por outro lado, o crescimento dos salários potencializa os riscos de pressão de demanda sobre a inflação que se somam às preocupações com o encarecimento dos preços de bens importados. Em que pese esta dualidade, após a divulgação dos dados, houve aumento expressivo da probabilidade de retomada de cortes em setembro. Vale destacar, no entanto, que a materialização desta decisão ainda dependerá da evolução dos dados até a próxima reunião do FOMC em setembro.
