Payroll maio | Primeiras Impressões: Mercado de trabalho americano mostra desaceleração ordenada da economia, mas com manutenção das pressões inflacionárias
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os dados do mercado de trabalho americano mostraram desaceleração em maio, já refletindo alguns impactos causados pelas novas regras de comércio internacional. No mês foram criadas 139 mil vagas, acima dos 126 mil novos postos esperados pelos analistas, mas abaixo dos 147 mil do período anterior. Apesar do número melhor do que o esperado em maio, os dados de março e abril sofreram forte revisão pra baixo, de cerca de 100 mil vagas a menos.
Com este resultado, a média mensal de vagas criadas nos 5 primeiros meses de 2025 ficou em 124 mil, bem abaixo dos anos anteriores e da média pré-pandemia. Os números trazem, portanto, sinais mistos para a economia americana. Por um lado, há uma desaceleração importante em relação a 2024, mas por outro, a criação líquida de vagas segue em terreno positivo e a desaceleração em curso tem sido bastante ordenada, caracterizando um cenário de soft landing. A taxa de desemprego se manteve em 4,2%, mesmo patamar registrado desde março desse ano.
A variação dos salários mostrou que a pressão inflacionária vinda do mercado de trabalho ainda não se dissipou. Os ganhos por hora na comparação anual ficaram estáveis em 3,9%. O patamar ainda é bastante elevado, especialmente quando comparado à meta de inflação de 2,0%, e sugere manutenção da pressão de demanda sobre os preços, com especial impacto sobre os custos de serviços.
Os sinais trazidos pelos dados do mercado de trabalho, com desaceleração na criação de vagas e crescimento dos salários, desenham um cenário desafiador para a autoridade monetária, que tem duplo mandato com foco na manutenção do crescimento e estabilidade de preços. A isso se somam as incertezas relacionadas à política externa do novo presidente americano, que ainda podem trazer impacto negativo para os próximos meses. O acompanhamento do mercado de trabalho daqui para frente será, portanto, de grande relevância para determinar os riscos prospectivos à inflação e à atividade e os próximos passos do Federal Reserve.
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