Primeiras Impressões: PIB brasileiro mostra atividade em desaceleração ordenada, em linha com o cenário de juros elevados
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Na segunda desaceleração consecutiva, o PIB brasileiro recuou de 0,3% para 0,1% entre o 2º e o 3º trimestre de 2025, levemente abaixo das expectativas de mercado, mas ainda em crescimento. O resultado confirma o diagnóstico de desaceleração ordenada da economia brasileira.
Do lado da oferta, chama a atenção o setor de serviços, que era o principal destaque nos trimestres anteriores e avançou levemente na margem (0,1%). A agricultura (+0,4%) e a indústria (+0,8%) foram os setores com avanços mais pronunciados nessa comparação. Este último foi bastante impactado pela melhora na indústria extrativa (extração de petróleo e gás) e pela construção civil.

Do lado da demanda, o consumo das famílias também desacelerou para um crescimento de 0,1%. Por outro lado, os gastos do governo (1,3%) e os investimentos (0,9%) avançaram mais do que nos meses anteriores e foram os destaques positivos.
No acumulado em quatro trimestres, em relação ao período imediatamente anterior, o crescimento da economia brasileira ficou em 2,7%, abaixo das variações de 3,3% e 3,6% dos trimestres anteriores. Como resultado, o carry over para 2025 (crescimento da atividade considerando manutenção desse patamar até o final do ano) é de 2,6%.
No entanto, a expectativa de efeitos defasados do ciclo de alta de juros, que se encerrou na metade do ano, deve levar a uma desaceleração adicional da atividade nos últimos três meses de 2025. O PIB deve terminar o ano com variação mais próxima de 2,2%.
Confirmado esse resultado, o Brasil terá crescido 17,7% no período pós-pandemia (desde 2021).
