PIB Brasileiro | Primeiras Impressões: Atividade Econômica brasileira avançou 3,4% em 2024
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Apesar da desaceleração observada no último trimestre do ano passado, os dados do PIB brasileiro mostraram que a atividade econômica se manteve bastante aquecida. Em 2024, o crescimento foi de 3,4% em comparação com o ano anterior, quando a alta havia sido de 3,2%. Esta foi a maior variação desde 2021, quando o país se recuperava da pandemia de Covid-19 e se soma a um crescimento relevante de 11,4% desde então.
Pelo lado da oferta, o resultado trouxe destaques importantes. A indústria avançou 3,3% com recuperação em relação aos 1,7% do período anterior. Também o setor de serviços acelerou de 2,8% para 3,7% mantendo o posto de principal motor da economia brasileira desde o fim da pandemia. Na outra direção, a agropecuária retrocedeu -3,2%, impactada pelas condições climáticas adversas do período.
Na ótica da demanda, a força da atividade foi calcada no consumo das famílias que cresceu 4,8% puxado pela expansão fiscal, aumento dos salários e a força do mercado de trabalho. Também foi destaque positivo a variação de 7,3% nos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), aspecto que pode mitigar em parte a pressão inflacionária do crescimento da demanda doméstica. Na outra direção, o setor externo contribuiu negativamente para o PIB por conta do forte crescimento das importações.

A força do crescimento da economia brasileira deve seguir como pressão importante sobre a inflação de demanda – com efeito nos preços ao consumidor – e permanecer na lista de preocupações do Banco Central Brasileiro. Em conjunto com os riscos fiscais, a desvalorização do real brasileiro e a desancoragem de expectativas, os dados devem dar força para a continuidade do ciclo de contração monetária.
