Ata do Copom julho 2025 | Primeiras Impressões: Ata do Copom indica continuidade da política monetária restritiva para trazer a inflação à meta
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A ata da reunião de julho do Copom trouxe informações relevantes, corroborando o que havia sido indicado no comunicado da reunião da semana passada. Com relação ao cenário externo, os membros do colegiado enfatizaram, de maneira reiterada, que o ambiente ficou mais adverso e incerto, o que exige particular cautela. A nova política protecionista dos Estados Unidos e o choque de custos alimentam os temores de desaceleração econômica mundial, com reflexo sobre a precificação de ativos e nas condições financeiras globais. O aumento das tarifas comerciais americanas sobre produtos brasileiros pode trazer efeitos setoriais relevantes, mas os impactos agregados ainda são incertos.
A percepção da economia doméstica foi de crescimento mais moderado e redução gradual da atividade, resultado da política monetária contracionista e em linha com esperado. O mercado de trabalho, por outro lado, ainda demonstra dinamismo. O comitê ressaltou que esses sinais mistos são típicos de momentos de inflexão do ciclo econômico. O cenário para inflação segue adverso com variações acima da meta, em que pesem as recentes surpresas baixistas. Também o nível de desancoragem das expectativas ainda gera desconforto apesar da queda recente.
O Copom sugeriu conforto com a política monetária em curso enquanto ganha tempo para observar a materialização dos efeitos do ciclo mais recente. Se por um lado ainda há riscos inflacionários, por outro, a alta de juros empreendida entre setembro do ano passado e a primeira metade deste ano já apresenta efeito sobre a economia. A indicação para as próximas reuniões é, portanto, de manutenção dos juros no atual patamar. Ainda não há pistas de quando um novo ciclo de queda será iniciado.
