IPCA-15 | Primeiras Impressões: Inflação ao consumidor desacelera na comparação anual, mas segue pressionada pelos preços de serviços
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Depois de registrar alta de 0,18% em outubro, o IPCA-15 acelerou levemente em novembro para 0,20% na comparação mensal. O resultado veio um pouco acima da expectativa do mercado, que apontava variação de 0,18%. A prévia da inflação ao consumidor teve como destaque itens relacionados a serviços. Houve alta sazonal em hospedagem (4,18%) e pacotes turísticos (3,90%), além das passagens aéreas (11,87%) e refeições fora de casa (0,56%).
No campo baixista, os destaques foram as deflações de alimentação no domicílio (-0,15%), gasolina (-0,48%, resultado do recente reajuste) e energia elétrica residencial (-0,38%). Com relação a este último item, a queda foi menor do que a registrada no mês anterior (-1,09%) em razão da bandeira vermelha em vigor a partir do início do mês.
Com esse resultado, o índice passou para 4,50% em 12 meses, abaixo dos 4,94% do mês anterior e no limite do intervalo de tolerância da meta. As boas notícias na comparação anual vieram do grupo alimentação no domicílio (com recuo de 5,48% para 3,61% entre outubro e novembro) e, em menor medida, de bens industriais e monitorados. Por outro lado, os preços de serviços seguem rodando ao redor dos 6,0% (patamar vigente desde agosto) pressionados pela demanda aquecida.
A análise dos índices de difusão traz a mesma conclusão. No índice geral, 55% dos itens pesquisados apresentaram, em novembro, preços maiores do que em outubro, percentual abaixo do visto na média do ano (59%), mas acima do mês anterior (51%). Quando olhamos a difusão somente do grupo de serviços, o percentual de itens em alta foi de 65%.

Em resumo, a prévia dos preços ao consumidor trouxe sinais mistos. A desaceleração do índice para o limite do intervalo de tolerância da meta é muito bem-vinda e ajuda a reforçar as expectativas de queda da Selic no início de 2026.
Em contrapartida, a persistência do setor de serviços segue como ponto de atenção, sendo um limitador ao ciclo de afrouxamento monetário.
