IPCA-15 | Primeiras Impressões: Prévia da inflação ao consumidor desacelera na comparação mensal, mas pressões de demanda persistem
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Depois de registrar alta de 0,48% em setembro, o IPCA-15 desacelerou em outubro para 0,18% na comparação mensal. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado (0,24%). A desaceleração da prévia da inflação ao consumidor teve como destaque a queda em energia elétrica residencial, que passou de 12,17% para -1,09%, bem como o recuo de 0,10% nos alimentos no domicílio (ainda que em intensidade menor que no mês anterior, quando a queda foi de 0,63%).
Com esse resultado, o índice chegou a 4,94% no acumulado em 12 meses, abaixo dos 5,32% registrados até o mês anterior. Apesar da variação menor no índice cheio, o detalhamento da inflação enseja atenção. Os preços de serviços avançaram de 5,91% para 6,02%, uma indicação de que ainda há pressão de demanda sobre os preços finais. Por outro lado, grupos ligados a câmbio trouxeram boas notícias: os bens industriais desaceleraram de 3,42% para 3,13% e alimentos no domicílio passaram de 6,48% para 5,48%.
A análise dos índices de difusão traz a mesma conclusão. No índice geral, 51% dos itens pesquisados apresentaram em outubro preços maiores do que em setembro, percentual abaixo do que o visto em meses anteriores. Quando olhamos a difusão somente do grupo de serviços, o percentual de bens em elevação foi de 58%.

Em resumo, a prévia dos preços ao consumidor trouxe sinais mistos com dois vetores opostos: ajuda do câmbio por um lado e pressão de demanda por outro. O resultado deve manter o viés conservador do Copom e manutenção dos juros na reunião marcada para o início de novembro.
