IPCA agosto 2025 | Primeiras Impressões: IPCA desacelera a 5,13% no acumulado em 12 meses, mas pressões de demanda persistem
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A variação de preços ao consumidor medidos pelo IPCA ficou negativa em 0,11% em agosto na comparação mensal, abaixo do 0,26% de julho e acima da expectativa de mercado de -0,15%. O detalhamento do índice repetiu o que já havia sido visto na prévia medida pelo IPCA-15: apesar da deflação no índice cheio, o qualitativo ainda indica pressões inflacionárias importantes.
Na comparação mensal, o grupo alimentação e bebidas (com peso de 21,7%, o maior no índice) apresentou recuo de 0,46% puxado pela queda nos alimentos em domicílio (-0,83%) que mais que compensou a alta de alimentação fora do domicílio (0,50%). Mas a maior pressão baixista veio do grupo Habitação, com recuo de 0,90% puxado pela queda de 4,21% nas contas de energia elétrica residencial. Excluído esse item, o IPCA de agosto teria sido positivo em 0,07%. Por outro lado, os artigos de vestuário, voltaram ao campo positivo e passaram de -0,54% para +0,72%, a medida que a ajuda da queda no câmbio começa a se dissipar.
No índice acumulado em 12 meses, o índice segue acima da meta, apesar da (bem-vinda) desaceleração. A variação no período ficou em 5,13%, ante 5,23% no mês anterior. Dentre os principais grupos, houve evolução positiva em alimentação no domicílio, com variação que passou de 7,11% para 7,01%. Os bens industriais, que vinham apresentando desacelerações consecutivas entre abril e julho, mantiveram a variação de 3,38% do mês anterior. Por fim, os preços de serviços ficaram em 6,16%, acima dos 6,00% do mês anterior, e ainda acima da média de 5,8% dos 6 meses anteriores.

Os dados da inflação ao consumidor trouxeram, mais uma vez, sinais mistos em agosto que exigem um olhar detalhado para além do índice cheio. A desaceleração do IPCA é bastante positiva e confirma a trajetória de convergência para o intervalo da meta no médio prazo (2026). Mas o impacto benigno de desaceleração dos custos de produtos importados e commodities cotadas em dólar para os preços ao consumidor começa a se dissipar (a exemplo de vestuário e bens industriais), à medida que a taxa começa a encontrar um piso no patamar entre R$ 5,40 e R$ 5,50/USD. Além disso, ainda há pressão relevante vinda dos preços de serviços inflacionados pelo mercado de trabalho aquecido. Mantemos, portanto, nossa expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado nas próximas reuniões do Copom. O ciclo de queda na taxa de juros deve acontecer quando essas pressões se dissiparem de maneira mais concreta.
