Primeiras Impressões: IPCA de fevereiro ficou acima do esperado pressionado por preços de serviços
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A variação de preços ao consumidor medida pelo IPCA ficou em 0,70% em fevereiro, acima dos 0,33% de janeiro e das expectativas de mercado, que giravam em torno de 0,60%. O grupo Educação foi responsável por quase metade dessa variação (0,30 p.p.), pressionado pelo reajuste sazonal de mensalidades escolares. O segundo maior impacto veio do grupo Transportes, responsável por 0,15 p.p., pressionado por passagens aéreas e seguros de veículos.
O índice acumulado em 12 meses desacelerou de 4,44% para 3,81%, pela primeira vez abaixo de 4,00% desde maio de 2024. Os números melhores no acumulado foram puxados por Alimentação no Domicílio, que passou de 0,45% para -0,11%, e pelos Bens Administrados, que passaram de 7,48% para 4,37%. Por outro lado, os preços de serviços voltaram a subir, passando de 5,29% para 6,01%, refletindo a pressão da demanda aquecida.
Em resumo, os dados da inflação ao consumidor de 2026 trouxeram sinais mistos. Por um lado, o câmbio favorável traz boas notícias, principalmente do lado da inflação de alimentos. Por outro, os preços de serviços se mantêm em patamar alto desde meados do ano passado, indicando pressão persistente de demanda. Os dados serão analisados de perto pelo Banco Central na próxima reunião do Copom (17 e 18 de março) e, somados à incerteza vinda do cenário externo, reforçam o argumento a favor de um início conservador do ciclo de afrouxo monetário.
