IPCA junho | Primeiras Impressões: IPCA volta a acelerar no acumulado em 12 meses, passando de 5,32% para 5,35%
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os preços ao consumidor medidos pelo IPCA, passaram de 0,26% em maio para 0,24% em junho, na comparação mensal, acima das expectativas de mercado que giravam em torno de 0,20%. Na comparação mensal, o grupo alimentação e bebidas (com peso de 21,95%, o maior no índice) apresentou queda de 0,18% puxado pelos alimentos in natura e foi a principal pressão baixista nesta divulgação. Na outra direção, a alta de 2,96% no custo da energia elétrica residencial puxou os preços do grupo de habitação para cima (0,99% no mês).
No índice acumulado em 12 meses, a variação ficou em 5,35%, acima dos 5,32% verificados no mês anterior. Além do índice cheio, os preços de serviços seguem acima do teto da meta de 4,50%. A variação do grupo avançou de 5,80% para 6,17%. Houve boas notícias, no entanto, com a desaceleração dos bens industriais, que passaram de 3,87% para 3,77%, além dos preços de alimentação no domicílio que desaceleraram de 7,19% para 6,23%. Esses resultados refletem a desaceleração do câmbio que passou do patamar dos R$/US$ 6,00 no início do ano para próximo dos R$/US$ 5,50.

Os dados da inflação ao consumidor em junho trouxeram, portanto, sinais mistos. Por um lado, há impacto benigno de desaceleração dos custos de produtos importados, ajudado pelo novo patamar de câmbio. Por outro, ainda há pressão relevante vinda dos preços de serviços, resultado de um mercado de trabalho aquecido. Mantemos, portanto, nossa expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado por bastante tempo, uma vez que ainda há riscos inflacionários importantes – como expectativas acima da meta no horizonte relevante, pressão de demanda e incertezas fiscais – que exigem uma postura conservadora por parte do Banco Central.
