Payroll julho 2025 | Primeiras Impressões: Mercado de trabalho americano decepciona pelo segundo mês consecutivo e reforça apostas de cortes de juros em setembro
Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A importância dos dados do mercado de trabalho americano (payroll) é consenso entre os economistas. Os números medem de uma forma bastante ampla a temperatura da economia americana, seja do lado da atividade, seja do lado da inflação. E, por isso, a sua divulgação é sempre uma baliza relevante para as medidas de política monetária. O resultado referente a agosto mostrou que a atividade nos EUA desacelerou de uma forma mais brusca do que o antecipado. A criação de novas vagas no mês foi de 22 mil, ante expectativa de mercado de números próximos a 70 mil. Além disso, houve uma pequena revisão para cima no dado de julho (de 73 mil para 79 mil) mais do que compensada pela forte revisão de junho (de um saldo positivo de 14 mil vagas para o fechamento de 13 mil postos no período, o primeiro resultado negativo desde 2000). Com esses números, a taxa de desemprego avançou de 4,2% para 4,3%.
Além da forte desaceleração na criação de vagas, os dados mostraram que a pressão inflacionária vinda do mercado de trabalho começou a se dissipar. Os ganhos por hora na comparação anual recuaram de 3,9% para 3,7% entre julho e agosto, de volta ao patamar de junho deste ano quando a variação era a menor desde meados de 2024. O patamar ainda é bastante elevado, especialmente quando comparado à meta de inflação de 2,0%, mas sugere menor pressão de demanda sobre os preços, com especial impacto positivo sobre os custos de serviços.
Os números trazem, portanto, sinais claros de desaquecimento da economia americana acompanhado de diminuição da pressão sobre a inflação, resultado das incertezas relacionadas aos impactos da nova política externa norte-americana. A divulgação reforça as expectativas de queda de juros na próxima reunião do FOMC em setembro e intensifica a possibilidade de afrouxamento monetário nas reuniões seguintes em outubro e dezembro. Caso as expectativas relacionadas a cortes sequenciais de juros nos EUA se confirmem, pode haver repercussões positivas sobre a taxa de câmbio e a inflação brasileira, além da antecipação do ciclo de corte de juros básicos pelo Copom.
