PIB americano 2º trimestre 2025 | Primeiras Impressões: PIB americano trouxe recuperação no 2º trimestre e avançou 3,0%
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
No 2º trimestre de 2025, o PIB dos Estados Unidos avançou 3,0% na comparação trimestral anualizada, acima das previsões de uma alta de 2,6%. Os dados indicam uma reversão importante em relação à queda de 0,5% nos primeiros três meses do ano, quando a economia estava cercada de incertezas em relação à política externa.
A análise detalhada mostra que o crescimento foi puxado por dois fatores principais. Em primeiro lugar, o consumo privado interno havia crescido apenas 0,5% no início do ano e avançou para 1,4% na leitura de hoje. Ainda que o pico das incertezas tenha sido verificado em abril, logo no início do 2º trimestre, quando o presidente americano divulgou uma vasta gama de tarifas, houve uma acomodação importante desde então. Essa evolução ajudou na recuperação da demanda interna que contribuiu com quase 1 ponto percentual neste resultado.
Além disso, o setor externo trouxe contribuição negativa no 1º trimestre por conta da grande antecipação de importações, que haviam crescido 37,9% no período, tendo em vista a tentativa dos empresários de garantir estoques de produtos importados antes de anúncios de tarifas adicionais. Por se referirem à produção de bens fora dos Estados Unidos, a compra de itens de outros países atuou como vetor negativo no cálculo do PIB. No 2º trimestre do ano, no entanto, este movimento foi revertido: as importações caíram 30,3%.

Por outro lado, os investimentos contribuíram negativamente para a economia americana no período entre abril e junho, por conta da queda na construção de novas residências e a normalização de estoques.
A divulgação do PIB indica resiliência da economia americana, mesmo em um ambiente desafiador. Vale ressaltar que os dados conhecidos hoje são referentes ao período até junho, antes, portanto, do dia 01 de agosto quando boa parte das tarifas entrará em vigor. Os dados do segundo semestre podem trazer mais detalhes em relação aos impactos da política externa americana, não somente sobre a atividade econômica, mas também sobre a inflação.
