2025: O ano de reacomodação da economia global
2025 foi um ano marcado por altos e baixos, surpresas e confirmações.
No ambiente global, houve grande visibilidade para as novas políticas norte-americanas. No Brasil, o mercado de trabalho seguiu aquecido, mas a pressão de demanda sobre os preços e as incertezas fiscais foram fontes de preocupação e mantiveram os juros elevados.
À medida que nos aproximamos da transição entre 2025 e 2026, chegamos ao momento ideal para revisar os principais acontecimentos do ano e analisar como o cenário econômico evoluiu entre o início e o fim do período (1).
A economia brasileira em 2025: entre juros altos e inflação persistente


O ano foi marcado por uma política monetária ainda bastante restritiva, refletindo a postura conservadora do Banco Central, que busca manter a inflação na meta e as expectativas ancoradas. A virada de 2024 para 2025 ocorreu em meio a um ciclo de alta de juros. A Selic, que estava em 12,25% em dezembro do ano anterior, foi elevada até 15,00% em meados de 2025 e permaneceu nesse patamar até dezembro. Para os próximos meses, há uma indicação condicional por parte do Copom: o ciclo de afrouxamento monetário parece estar próximo, mas sua efetivação depende da melhora dos indicadores relacionados à inflação de demanda.

Esse cuidado da autoridade monetária decorre da evolução dos indicadores ao longo do ano. Por um lado, a Selic elevada reduziu o ritmo de crescimento da concessão de crédito e levou a uma desaceleração moderada da atividade. Por outro, a resiliência do mercado de trabalho manteve o desemprego em patamar historicamente baixo, com a massa salarial ainda exercendo impulso relevante sobre a economia.
Enquanto a pressão de demanda manteve as preocupações com a inflação elevadas, a valorização do real ajudou a aliviar os índices de preços. Ao longo do ano, a moeda brasileira se beneficiou da fraqueza do dólar americano — impactado pelas incertezas em relação às políticas externas dos Estados Unidos — e do diferencial de juros, à medida que o FED iniciou cortes nos Fed Funds enquanto o Banco Central brasileiro manteve sua postura conservadora. Ainda que os ruídos fiscais tenham limitado uma valorização mais expressiva, o real, que iniciou 2025 próximo de R$ 6,20/USD, encerrou o ano mais próximo de R$ 5,50/USD.
Nesse contexto, os preços ao consumidor apresentaram resultado melhor do que o esperado em 2025. O IPCA-15 encerrou dezembro em 4,41% no acumulado em 12 meses, resultado influenciado pela forte desaceleração dos preços de alimentos no domicílio e de bens industriais — itens mais sensíveis à taxa de câmbio. Por outro lado, os preços de serviços permaneceram próximos de 6,0% entre agosto e setembro, mantendo um ponto relevante de atenção para a autoridade monetária.
Além disso, o quadro fiscal seguiu como um importante fator de risco. O resultado primário permaneceu negativo ao longo do ano, mesmo diante dos esforços para ampliação de receitas e cumprimento das metas fiscais. Esse fator pode atuar como limitador para um ciclo mais intenso de flexibilização monetária em 2026.
A economia americana em 2025: crescimento resiliente apesar do cenário desafiador

A postura protecionista do novo presidente americano elevou as tensões comerciais ao longo do ano. Apesar das sinalizações de aumento de tarifas ainda durante a campanha eleitoral de 2024, em 2025 surpreenderam a forma errática, a abrangência geográfica e o nível das alíquotas implementadas. Ainda que essas políticas tenham adicionado volatilidade aos mercados e afetado cadeias globais, o crescimento do PIB americano manteve-se positivo, sustentado principalmente pelo consumo doméstico.
Os dados até o terceiro trimestre mostraram crescimento anualizado de 4,3%, impulsionado pelo consumo das famílias e pelo setor externo. A resiliência da economia americana ocorreu apesar da desaceleração do mercado de trabalho, reflexo das incertezas e das políticas protecionistas. Vale destacar, no entanto, que parte dos efeitos ainda pode se intensificar, especialmente em função da maior paralisação do governo americano já registrada — cujos impactos completos serão conhecidos apenas no início do próximo ano.
No campo da inflação, também houve reflexos das novas políticas comerciais. As tarifas elevaram a inflação de bens não duráveis de 1,2% para 2,0% e a de bens duráveis de -0,3% para 1,3%. Em contrapartida, a desaceleração dos preços de serviços contribuiu para que o índice encerrasse novembro em 2,7%, abaixo dos 2,9% registrados no fim do ano anterior.
Esse cenário justificou a retomada do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central americano. Os Fed Funds iniciaram 2025 no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. e encerraram o ano entre 3,50% e 3,75% a.a.
Apesar do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos, a China manteve ritmo de crescimento relativamente sólido, ainda que inferior ao observado no período pré-pandemia. Estímulos governamentais, incentivo ao crédito, diversificação de parceiros comerciais e manutenção de juros baixos ajudaram a mitigar os impactos do ambiente externo mais desafiador.
Na Zona do Euro, a convergência da inflação para patamares próximos à meta permitiu a manutenção de juros em níveis mais baixos. No entanto, a atividade industrial — especialmente na Alemanha — decepcionou, sendo parcialmente compensada pelo setor de serviços. No Reino Unido, por sua vez, a economia mais aquecida e a inflação persistente limitaram o espaço para cortes adicionais de juros.
No campo geopolítico, as tensões entre Estados Unidos e China se intensificaram no primeiro semestre, na esteira do aumento das tarifas. Na segunda metade do ano, entretanto, houve certa acomodação. No Oriente Médio, a instabilidade diminuiu após o acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel. Por outro lado, apesar de diversas tentativas diplomáticas, o conflito entre Rússia e Ucrânia encerrou 2025 sem solução definitiva, e, em dezembro, houve intensificação das tensões entre Venezuela e Estados Unidos.
(1) O texto leva em conta os dados disponíveis até 23/dez/25.
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