Ata Copom | Primeiras Impressões: Ata do Copom indica política monetária restrita por bastante tempo para trazer a inflação à meta
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A ata da reunião de maio do Copom trouxe informações relevantes, corroborando as informações do comunicado da última semana, indicando que estamos próximos do fim do ciclo, ainda que a política monetária deva seguir restritiva por bastante tempo.
O documento trouxe alterações importantes em relação àquele divulgado em março e enfatizou várias vezes o aumento da incerteza por conta das medidas protecionistas nos Estados Unidos. A nova política externa e o choque de tarifas alimentam os temores de desaceleração econômica, com reflexo sobre a precificação de ativos e nas condições financeiras globais. Com relação aos efeitos deste novo cenário sobre o Brasil, o colegiado ressaltou que o país é menos afetado de forma direta pelas tarifas, mas sofrerá as consequências via cenário externo mais adverso.
A atividade doméstica permanece dinâmica, baseada no impulso fiscal e na força do mercado de trabalho, mas com mostras de incipiente moderação. O Copom reconhece que a política monetária contracionista e o ciclo de alta da Selic iniciado em setembro já têm efeitos sobre a atividade, o que é essencial para a convergência da inflação à meta no decorrer dos próximos trimestres. Neste sentido, apesar da persistência de vetores inflacionários adversos, como resiliência na atividade econômica e pressões advindas do mercado de trabalho, expectativas de inflação desancoradas e projeções de inflação elevadas os riscos prospectivos à inflação foram classificados como neutros.
Dado este cenário, o Copom sugeriu que já pode ter alcançado o patamar final do ciclo de aperto monetário. Ainda assim, deixou a possibilidade de novos ajustes em aberto, caso os dados levem a uma piora no cenário para a inflação. Por outro lado, houve uma indicação bastante relevante de que os juros devem ficar altos por um período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta.
