Ata do Copom | Primeiras impressões: indica continuidade da política monetária restrita para trazer a inflação à meta
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A ata da reunião do Copom de dezembro trouxe informações relevantes e corroborou o tom cauteloso do comunicado divulgado na semana passada.
Com relação ao cenário externo, os membros do colegiado entendem que o ambiente está menos incerto, principalmente em função do fim da paralisação do governo americano e da evolução positiva das negociações comerciais.
No Brasil, a atividade econômica tem apresentado moderação, conforme antecipado e em linha com o ciclo recente de aperto monetário. Por outro lado, o mercado de trabalho ainda enseja atenção. O patamar ainda apertado e os sinais apenas incipientes de desaquecimento seguem pressionando a demanda e gerando riscos à estabilidade de preços.
O cenário para a inflação segue desconfortável, apesar de alguns pontos de melhora. O comitê reconheceu que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada, mas destacou que a pressão sobre a inflação de demanda requer a manutenção de uma política contracionista por um período bastante prolongado. Em relação às expectativas de inflação, o comitê ressaltou que, apesar da desaceleração recente, elas ainda permanecem acima da meta. Além disso, o colegiado afirmou que um ambiente de expectativas desancoradas, como o atual, exige uma restrição monetária mais intensa e por mais tempo do que seria apropriado em outros contextos.
O Copom sugeriu conforto com a política monetária em curso, enquanto ganha tempo para observar a materialização dos efeitos do ciclo mais recente. Se, por um lado, ainda há riscos inflacionários advindos principalmente da pressão de demanda, por outro, a alta recente dos juros já tem produzido efeitos sobre a economia.
