Ata do Copom | Primeiras impressões: reforça o cenário recheado de incertezas e a necessidade de cautela na condução de política monetária
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A ata da reunião do Copom de março teve como destaque o reforço do impacto do cenário externo mais adverso sobre a decisão de juros, em linha com o comunicado divulgado na semana passada. O colegiado ressaltou que o acirramento dos conflitos no Oriente Médio elevou as incertezas e trouxe volatilidade aos preços de ativos e commodities.
Com relação ao cenário doméstico, o documento observou que a desaceleração do PIB ao final de 2025 reflete a política monetária restritiva praticada desde o ano passado. Por outro lado, os indicadores preliminares de 2026 apontam para uma retomada da atividade econômica. Além disso, o mercado de trabalho segue resiliente, e os rendimentos médios crescem acima da inflação, colocando pressão importante sobre diversos preços da economia. A inflação corrente apresenta arrefecimento, mas há preocupações em relação ao aumento nas expectativas após o início dos conflitos, tanto para os índices cheios quanto para os núcleos.
Nesse cenário, o Comitê julgou adequado iniciar o ciclo de cortes de juros em um ritmo mais tênue, de 25 bps. O Copom ressaltou que o cenário externo e a necessidade de assegurar a convergência da inflação à meta exigem serenidade e cautela.
Sobre os próximos passos, os diretores destacaram que a duração e a extensão dos conflitos geopolíticos, assim como os sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras. O Comitê deve seguir, portanto, um tom parcimonioso na condução da política monetária. A evolução dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre o cenário doméstico serão bastante relevantes para as próximas decisões.
