Ata do Copom | Primeiras Impressões: Indica continuidade da política monetária restrita para trazer a inflação à meta
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A ata do Copom na reunião de setembro trouxe informações relevantes, corroborando o que havia sido indicado no comunicado emitido logo após o encontro da semana passada. Com relação ao cenário externo, os membros do colegiado enfatizaram novamente que o ambiente segue incerto, o que exige cautela especial. Ainda restam dúvidas sobre os impactos efetivos do aumento das tarifas comerciais na economia americana.
A percepção sobre a economia doméstica foi de que o cenário delineado pelo comitê segue se concretizando. Por um lado, há redução gradual do crescimento, com moderação mais nítida em setores sensíveis às condições financeiras mais apertadas, como o volume de crédito, resultado da política monetária contracionista. Em contraposição, os bens de consumo ligados à renda seguem resilientes, estimulados pelo mercado de trabalho aquecido e pelas transferências fiscais. O comitê ressaltou que esses sinais mistos são típicos de momentos de inflexão do ciclo econômico.
O cenário para a inflação segue desconfortável, apesar de alguns pontos de melhora. Houve desaceleração dos dados correntes, ajudada pelo real apreciado e pelos preços de commodities, que contribuíram para a evolução positiva dos preços de industrializados e alimentos. Por outro lado, a inflação de serviços permanece resiliente, e o nível de desancoragem das expectativas ainda gera desconforto. Apesar da queda recente, as variações seguem acima da meta e a melhora tem se concentrado em prazos mais curtos.
O Copom sinalizou conforto com a política monetária em curso, enquanto ganha tempo para observar a materialização dos efeitos do ciclo mais recente. Se, por um lado, ainda há riscos inflacionários vindos principalmente da pressão de demanda, por outro, a alta de juros empreendida entre setembro do ano passado e a primeira metade deste ano já tem efeito sobre a economia.
A indicação para as próximas reuniões é, portanto, de manutenção dos juros no atual patamar (15% a.a.).
