Ata do Copom e IPCA | Primeiras impressões: Ata indica continuidade da política monetária restritiva para trazer a inflação à meta; IPCA traz alívio em outubro, acumulando alta de 4,68% nos últimos 12 meses
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime
A ata da reunião de outubro do Copom trouxe informações relevantes, corroborando o que havia sido indicado no comunicado divulgado na semana anterior. Em relação ao cenário externo, os membros do colegiado enfatizaram novamente que o ambiente segue incerto, o que exige particular cautela.
A percepção sobre a economia doméstica foi de que o cenário delineado pelo comitê segue se concretizando. Por um lado, há moderação no crescimento da atividade econômica, e as medidas de inflação trazem sinais cada vez mais contundentes de arrefecimento. Por outro, o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo, mantendo as pressões sobre o segmento de serviços. O comitê ressaltou que esses sinais mistos são típicos de momentos de inflexão do ciclo econômico.
O cenário para a inflação segue desconfortável, apesar de alguns pontos de melhora. Houve desaceleração dos dados correntes, ajudada pelo real apreciado e pelos preços de commodities mais acomodados, que contribuíram para a evolução positiva dos preços industrializados e dos alimentos. Por outro lado, a inflação de serviços segue resiliente, e o nível de desancoragem das expectativas ainda gera desconforto para a autoridade monetária. Apesar da queda recente, as variações permanecem acima da meta.
A divulgação da inflação ao consumidor em outubro corroborou esse cenário. Depois de registrar alta de 0,48% em setembro, o IPCA desacelerou para 0,09% no mês passado, na comparação mensal. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado, que rondava 0,15%. Entre os destaques para o arrefecimento do IPCA, está a queda da energia elétrica residencial, que recuou 2,39% em relação ao mês anterior (em setembro, a variação havia sido de +10,3%). Além disso, os alimentos no domicílio continuam contribuindo positivamente, com recuo de 0,16% — ainda que em menor intensidade do que no mês anterior, quando a queda foi de 0,41%. Com esse resultado, o índice acumulou alta de 4,68% em 12 meses, abaixo dos 5,17% registrados no mês anterior.

O Copom demonstrou conforto com a política monetária em curso, enquanto ganha tempo para observar a materialização dos efeitos do ciclo mais recente. Se, por um lado, ainda há riscos inflacionários vindos principalmente da pressão da demanda, por outro, a alta de juros empreendida entre setembro do ano passado e a primeira metade deste ano já demonstra efeitos sobre a economia. A indicação para as próximas reuniões é, portanto, de manutenção dos juros no atual patamar.
