Copom | Primeiras Impressões: Banco Central deu sequência ao ciclo de corte de juros e levou a Selic de 14,25% para 14,00%

Marcela Kawauti
Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Decisão do Copom
Em decisão unânime e de acordo com o esperado, o Copom cortou a Selic em 0,25 p.p. pela quarta reunião consecutiva, levando a taxa de 14,25% para 14,00% a.a. Os juros básicos estão agora 100 pontos-base abaixo do início do ciclo, em março deste ano.

Cenário externo
O tom do comunicado mais uma vez deu peso às incertezas relacionadas ao contexto externo mais adverso, o que diminui a previsibilidade sobre a política monetária em países avançados e exige cautela por parte dos emergentes.
Cenário doméstico
Sobre o cenário doméstico pesam riscos inflacionários importantes, apesar da desaceleração gradual da economia. A atividade segue em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores e mercado de trabalho aquecido. A inflação corrente desacelerou, mas segue acima do limite da meta. Por fim, as expectativas seguem desancoradas, mas os resultados do modelo do Banco Central trouxeram melhora na inflação deste ano (de 5,2% para 5,1%), parcialmente compensada pela piora no ano que vem (de 3,7% para 3,8%). A boa notícia ficou por conta da expectativa de 3,2% no novo horizonte de previsibilidade (1º trim/28), bastante próximo do centro da meta.
Perspectivas
Apesar do cenário de incerteza externa e riscos domésticos, o Copom entendeu que havia espaço para mais um corte de juros. Os próximos passos de política permanecem dependentes de dados. No nosso entendimento, em meio ao dilema entre o alívio de curto prazo e riscos de médio e longo prazo, o Banco Central deve seguir o afrouxamento, mas com a parcimônia que tem caracterizado esse ciclo. Entendemos que há espaço para pelo menos mais um corte, levando a Selic para abaixo dos 14,00% ao final do ano.

