Primeiras Impressões: Ata do Copom deixa porta aberta para novos cortes, com atenção à inflação de demanda e à desaceleração da economia


Marcela Kawauti
Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A ata da reunião do Copom que cortou os juros pela quarta vez consecutiva na última quarta-feira destacou a dualidade do cenário enfrentado pela autoridade monetária. O ambiente doméstico mostra moderação gradual da atividade, tal como antecipado, embora a economia ainda esteja em patamar resiliente. Na mesma linha, o desemprego segue em patamar baixo, mas com desaceleração da taxa de ocupação. A evolução dos indicadores evidencia o efeito da política monetária contracionista para a economia. Por outro lado, embora a inflação corrente esteja em desaceleração, os indicadores seguem acima do limite de tolerância da meta, a pressão de demanda segue ativa e as expectativas ainda estão desancoradas.
Neste cenário o Comitê julgou adequado implementar um novo corte de juros de 25 bps, levando a Selic de 14,25% para 14,00%. No entanto, o Copom ressaltou que a necessidade de assegurar a convergência da inflação à meta pede serenidade e cautela na condução da política monetária. Sobre os próximos passos, os diretores ressaltaram que serão dependentes de novas informações que acompanhem a evolução do cenário.

A nossa leitura é de que o Comitê deve seguir o tom parcimonioso na condução da política monetária, com novos cortes à frente que repitam o ritmo da última quarta-feira. A evolução dos conflitos no Oriente Médio, do El Niño a partir de setembro e a velocidade de desaceleração da economia brasileira serão bastante relevantes para as próximas decisões.
