CPI | Primeiras Impressões: Inflação ao consumidor americano encerra o ano em 2,7%
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
O índice cheio do CPI em dezembro ficou em 2,7% no acumulado em 12 meses, o mesmo patamar registrado no mês anterior. O dado mostra que há incorporação dos efeitos da nova política comercial externa sobre os preços ao consumidor, uma vez que houve aceleração da inflação em relação ao início do ano: em abril, o índice havia ficado em 2,3%. No entanto, essa aceleração já começa a se dissipar, e a inflação se afastou do pico de 3,0% verificado em setembro. A métrica que exclui itens mais voláteis (alimentação e energia) avançou 2,6% na mesma comparação, o mesmo patamar do mês anterior e levemente abaixo do esperado pelo mercado (2,7%).
Na mesma base de comparação, o detalhamento mostra que a alta dos itens ligados à cobrança de tarifas sobre produtos importados começou a arrefecer, confirmando o diagnóstico de caráter temporário do repique de preços. Os bens duráveis avançaram 1,2% na comparação anual (ante 1,5% no mês anterior), enquanto os bens não duráveis desaceleraram de 2,0% para 1,9%. Por outro lado, os dados mostraram retomada das pressões sobre os preços de serviços, que passaram de 3,2% para 3,3%.
A abertura do indicador mostrou que a inflação vinda da política protecionista está limitada, reforçando o diagnóstico do Banco Central americano, que indica o caráter temporário desse efeito e justifica os cortes de juros realizados ao final de 2025. Com relação a novos afrouxamentos monetários, o colegiado ainda está fortemente dependente dos dados que serão divulgados, mas o mercado espera ao menos um corte até o final de 2026.
