Comunicado do FOMC | Primeiras Impressões: Banco Central americano subiu os juros pela primeira vez desde 2023 com indicações de novas altas ainda esse ano

Marcela Kawauti
Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos

Depois de manter os juros por cinco reuniões consecutivas, o Banco Central americano decidiu, de forma unânime, por uma alta de 25 pontos base nos FED funds para o intervalo entre 3,75% e 4,00% a.a.. Essa foi a primeira elevação de juros desde o fim do ciclo de aperto monetário ocorrido em 2023.
O comunicado que acompanhou a decisão manteve o tom sucinto inaugurado por Warsh na sua primeira reunião em junho, além de reforçar o viés conservador do FOMC. O documento referendou de forma explícita que o comitê irá perseguir a estabilidade de preços e a meta de inflação de 2,0%. O comitê notou que a economia americana segue em expansão sólida com destaque para a demanda doméstica, crescimento da produtividade e dos investimentos (esses últimos provavelmente atribuídos ao ciclo de adoção de inteligência artificial). Do lado da inflação, os índices de preços seguem em patamar elevado.
A divulgação da mediana de projeções dos membros do FOMC reflete esse cenário. Houve aumento nas expectativas de inflação para 2026 e para o médio prazo (2028). Ainda mais intensa foi a revisão das projeções de juros para os próximos anos e para o longo prazo. A indicação é de que os FED funds terminariam 2026 em 4,1%, o que enseja mais um aperto monetário até dezembro, e manutenção em 2027. Ou seja, juros altos por bastante tempo.
Por fim, cabe destacar que desde a reunião de julho houve mudança importante na discussão de política monetária. Até aquele momento, a expectativa era de manutenção de juros nas próximas reuniões. A incerteza geopolítica, alta dos preços de petróleo e os efeitos sobre a inflação levaram a um tom mais conservador (hawkish) e aperto monetário. Há, inclusive, a possibilidade de mais um aperto monetário até o final do ano, a depender da evolução dos dados.
