Primeiras Impressões: Prévia da inflação de agosto fica negativa em 0,40%, abaixo das expectativas de mercado


Marcela Kawauti
Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos

A prévia da inflação ao consumidor medida pelo IPCA-15 passou de 0,06% em julho para -0,40% em agosto, significativamente abaixo dos -0,30% esperados pelos analistas de mercado. Esta foi a primeira deflação na comparação mensal desde agosto do ano passado quando a variação havia sido de -0,14%.
A sazonalidade costuma ser favorável para os meses de agosto por conta da combinação de menor pressão dos alimentos, normalização dos preços de serviços após as férias de julho, e liquidações de vestuário. Em linha com este contexto, a desaceleração do índice foi puxada pela deflação em Alimentação e Bebidas (-0,57%) e Vestuário (-0,20%) além do recuo em Transportes (-1,00%) puxado por recuo de passagens aérea e combustíveis e em Habitação (-1,41%) por conta do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas de energia elétrica.
Para além da comparação mensal, o índice acumulado em 12 meses desacelerou de 4,52% para 4,24%, dentro do limite de tolerância da meta de inflação (4,50%). O destaque ficou com os preços de Serviços (de 5,95% para 5,50%), mostrando que o cenário benigno para a inflação vai além da sazonalidade e incorpora também menor pressão de demanda. O grupo Alimentação no Domicílio passou de 2,63% para 2,68% e os Monitorados desaceleraram de 5,33% para 4,78%.
O resultado mensal e o acumulado em 12 meses reforçam o processo de desinflação de curto prazo com menor pressão dos preços ligados ao choque de commodities (combustíveis e alimentos) e a bem-vinda desaceleração dos preços de serviços. O resultado reforça a probabilidade de continuidade do corte de juros em setembro, com possibilidade de flexibilização adicional nas reuniões seguintes.
