Primeiras Impressões: IPCA desacelera em julho pelo quarto mês consecutivo

Marcela Kawauti
Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A variação de preços ao consumidor medidos pelo IPCA ficou em 0,07%, levemente acima da expectativa de mercado, mas com desaceleração significativa em relação ao mês anterior (0,16%). A dissipação dos efeitos do choque de commodities trouxe alívio para os preços ao consumidor e mais que compensou a alta na energia elétrica residencial. O grupo Alimentação e Bebidas passou de -0,24% em junho para -0,67% em julho e o grupo Transportes ficou praticamente estável no mês (+0,05%). Na direção oposta, o principal impacto altista no mês veio de Habitação (+0,99%).

O índice acumulado em 12 meses desacelerou de 4,64% para 4,44% entre junho e julho, no segundo recuo consecutivo. O grupo alimentação no domicílio passou para 2,54% ante 3,01% no mês anterior. O grupo monitorados passou de 5,52% para 5,10% por conta da acomodação em combustíveis.

A análise de pressões além dos efeitos do choque internacional de commodities também mostrou uma bem-vinda acomodação. O grupo de serviços passou de 5,90% para 5,86%, ainda em patamar elevado, mas com algum arrefecimento. Além disso, o núcleo que exclui preços de alimentação e combustíveis passou de 4,68% para 4,57%.

Em resumo, os dados da inflação de julho trouxeram boas notícias pelo segundo mês consecutivo, com a diminuição dos efeitos do choque de commodities e das pressões internas de demanda. O resultado deve reforçar expectativas de corte de juros pelo Copom, mas não deve afastar a postura conservadora da instituição que ainda precisa lidar com inflação corrente acima da meta e expectativas desancoradas.

