Panorama & Projeções | agosto 2025
O “Panorama & Projeções” é uma editoria que traz os destaques do mercado, bem como o resultado da carteira e as principais movimentações realizadas no período contemplado.
Cenário Internacional
O mês de agosto começou com uma surpresa negativa. Os indicadores do mercado de trabalho, o conjunto de variáveis mais relevante para medir a temperatura da economia americana, trouxe dados piores do que o esperado. Mais especificamente, a quantidade de vagas criadas em julho caiu ao pior patamar para o mês desde 2018 e os números dos dois meses anteriores foram revisados fortemente para baixo, no equivalente a quase um terço do total de vagas criadas no ano. O dado sugere estagnação do mercado de trabalho, que permanece em patamar aquecido, mas com menos ímpeto por conta das incertezas relacionadas às novas políticas protecionistas.
Enquanto a atividade econômica desacelera, os dados de inflação apontam na direção oposta. Os preços ao consumidor interromperam a trajetória de convergência à meta de 2,0% e chegaram a 2,7% no índice cheio em julho e 3,1% no núcleo que exclui os preços de alimentação e energia.
O cenário ficou bastante desafiador para o FED que precisa escolher qual dificuldade enfrentar dentro do seu duplo mandato: a inflação mais alta ou a atividade em desaceleração. Ao final do mês, em seu discurso no Simpósio de Jackson Hole, o Presidente do Banco Central americano trouxe luz à discussão e indicou que a mudança do balanço de riscos relacionado à atividade pode abrir espaço para a retomada do ciclo de afrouxo monetário. Além disso, sugeriu que o impacto das tarifas sobre preços pode ser temporário. Os analistas de mercado entenderam que a retomada dos cortes de juros já deva ocorrer na próxima reunião em setembro.
No restante do mundo, o efeito das tarifas sobre a atividade parece ser mais limitado com crescimento dentro do esperado na China e na Europa. Por outro lado, permanecem as incertezas sobre os próximos anúncios relacionados às políticas protecionistas americanas.
Cenário Nacional
No Brasil, os dados de atividade mais fraca, ainda que acompanhados de mercado de trabalho aquecido, somados a desaceleração da inflação deram força à discussão sobre o início do ciclo de corte de juros.
Os números de junho trouxeram sinais mistos para a economia brasileira, típicos de momentos de inflexão de ciclo econômico. Os dados do IBC-Br (uma proxy do PIB) mostraram pequena queda de 0,01% sobre o mês anterior, mas seguem em patamar acima do mesmo período de 2024. Os dados do mercado de trabalho, por outro lado, seguem pressionados. A taxa de desemprego chegou a 5,8% no mês, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.
Do lado da inflação, boas notícias com a desaceleração do IPCA. O índice, que chegou a acumular alta de 5,50% entre abril e maio, ficou abaixo de 5,0% na prévia para o mês de agosto. O câmbio favorável ajudou os preços de alimentação no domicílio e de bens industriais. Por outro lado, os preços de serviços seguem em alta próximo a 6,0%.
Do lado da política externa, o mês começou com um acordo entre Brasil e Estados Unidos que excluiu uma longa lista de produtos das tarifas adicionais que somavam 50% sobre produtos importados do Brasil. Apesar da acomodação de incertezas relacionados ao comércio exterior, as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos seguem tensionadas por conta de discussões políticas e sanções americanas sobre autoridades brasileiras.
