Panorama & Projeções | novembro 2025
O “Panorama & Projeções” é uma editoria que traz os destaques do mercado, bem como o resultado da carteira e as principais movimentações realizadas no período contemplado.
Cenário Internacional
Nos Estados Unidos, o principal evento de novembro foi o fim da paralização do governo americano, a mais longa já registrada. Apesar de ter terminado, o chamado shutdown trouxe prejuízos importantes e aumentou a gama de incertezas relacionadas à economia. Estimativas contabilizam que a interrupção de serviços públicos, o afastamento de servidores e adiamento de projetos governamentais teriam impacto negativo de até 1 ponto percentual sobre o PIB americano no último trimestre de 2025.
Além do dano sobre a atividade, o shutdown adiou a divulgação de variáveis econômicas. Houve prejuízo à coleta, processamento e divulgação de números importantes como inflação ao consumidor (CPI) e dados do mercado de trabalho. Os analistas se fiam nos chamados indicadores antecedentes para auferir a intensidade da desaceleração da economia e da alta dos preços (que vinham se desenhando desde meados do primeiro semestre) como efeito da política protecionista e o aumento de tarifas sobre produtos importados.
Os dados incompletos também trazem dificuldade ao Banco Central americano que precisará decidir em dezembro se continua o ciclo de queda de juros, ou se é melhor optar por uma pausa estratégica enquanto recupera a visibilidade. Ainda que o mercado tenha como cenário base um novo corte de juros, ao longo de novembro cresceu a probabilidade do chamado stop and go com pausa na última reunião do ano e retomada em janeiro.
No plano externo, o alívio nas tensões geopolíticas foi bem recebido. Cresceu o otimismo em relação à acomodação das políticas protecionistas após avanços em acordos com Brasil e China. Além disso, discussões sobre um plano de paz entre Rússia e Ucrânia trouxeram esperanças de que a guerra que começou em 2022 esteja perto do fim.
Na Europa e na China o crescimento da economia segue resiliente apesar da desaceleração causada pelas políticas protecionistas americanas. Medidas de suporte governamental e a inflação controlada, além dos juros em patamar baixo, têm ajudado ambas as regiões.
Cenário Nacional
No Brasil, os economistas ainda não chegaram a um consenso sobre quando o Banco Central iniciará o corte da taxa básica Selic, e os dados divulgados ao longo de novembro reforçaram o cenário desafiador para a autoridade monetária. A inflação ao consumidor segue em trajetória de queda e voltou ao intervalo de tolerância da meta. As expectativas seguiram na mesma tendência com desaceleração relevante.
O núcleo de serviços, no entanto, segue pressionado pela demanda aquecida. A taxa de desemprego na mínima histórica e o mercado de trabalho aquecido ainda impulsionam o crescimento real da massa salarial. Além disso, a demanda permanece impulsionada pela política fiscal expansionista.
A evolução das contas públicas ainda é preocupação relevante dos mercados. Há dúvidas sobre a capacidade de cumprimento da meta neste ano e nos próximos, à medida que os gastos ficam cada vez mais pressionados, seja por conta das chamadas “pautas-bomba”, seja por conta de “pacotes de bondade” anunciados pelo governo. As incertezas servem como limitadores importantes à queda de juros
