Payroll Dezembro | Primeiras Impressões: Normalização dos dados do mercado de trabalho mostra desaceleração mais forte que a antecipada
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A normalização da divulgação dos dados do mercado de trabalho americano, após o fim da paralisação do governo, mostrou que a desaceleração tem sido mais forte do que a antecipada pelo mercado. Os números conhecidos nesta terça-feira, referentes aos meses de outubro e novembro, mostraram destruição líquida de 105 mil vagas, seguida de criação líquida de 64 mil vagas, respectivamente. Com esse resultado, o total acumulado de posições de trabalho criadas em 2025 chegou ao pior nível desde a pandemia de Covid-19. Nesse cenário, a taxa de desemprego chegou a 4,6%, o pior nível desde setembro de 2021.
Além da forte desaceleração na criação de vagas, os dados mostraram que a pressão inflacionária vinda do mercado de trabalho começou a se dissipar. Os ganhos por hora, na comparação anual, recuaram de 3,7% para 3,5% entre outubro e novembro, também retornando ao patamar verificado em 2021. A variação ainda está acima da meta de inflação (2%), mas sugere menor pressão de demanda sobre os preços, com impacto positivo especialmente sobre os custos de serviços.

A importância dos dados do mercado de trabalho americano (payroll) é consenso entre os economistas. Os números medem, de forma bastante ampla, a temperatura da economia americana, tanto do lado da atividade quanto do lado da inflação. Por isso, sua divulgação é sempre uma baliza relevante para as decisões de política monetária. Os dados mais recentes trouxeram sinais importantes de desaquecimento, acompanhados de diminuição da pressão de demanda.
A divulgação reforça as expectativas de que o Banco Central americano poderá implementar mais um corte de juros em 2026, ainda que esse afrouxamento monetário não ocorra na próxima reunião de janeiro.
