Payroll Fevereiro | Primeiras Impressões: Mercado de trabalho americano surpreende com desaceleração maior que a antecipada
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os dados do mercado de trabalho americano mostraram um recuo de 92 mil vagas de trabalho, abaixo do resultado positivo de 55 mil vagas esperado pelos analistas e do verificado no mês anterior (126 mil). O número abaixo do antecipado concentrou-se em três setores: saúde, serviços de informação e setor público, que, juntos, responderam por cerca de metade dessa queda. Nesse contexto, o desemprego avançou de 4,3% para 4,4%, mas ainda permaneceu abaixo do pico do indicador registrado em novembro de 2025 (4,5%).
Apesar da atividade em desaceleração, os dados mostraram persistência na pressão inflacionária vinda do mercado de trabalho, inclusive com maior intensidade do que a registrada em meses anteriores. Os ganhos por hora na comparação anual avançaram para 3,8%, ante 3,7% no mês anterior. A variação segue acima da meta de inflação (2%), sugerindo pressão de demanda sobre os preços, com especial impacto sobre os custos de serviços.
A importância dos dados do mercado de trabalho (payroll) é consenso entre os economistas. Os números medem, de forma bastante ampla, a temperatura da economia americana, seja do lado da atividade, seja do lado da inflação. Por isso, sua divulgação é sempre uma baliza relevante para as decisões de política monetária. Os dados mais recentes trouxeram sinais de desaquecimento da atividade econômica, acompanhados de persistência da pressão de demanda. A divulgação reforça as expectativas de que o Banco Central americano enfrenta um cenário desafiador, com pouco espaço para retomar os cortes de juros no curto prazo.
