Payroll Março | Mercado de trabalho americano surpreende com reaceleração mais forte que a antecipada
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os dados do mercado de trabalho americano trouxeram números positivos em março: foram criadas 178 mil vagas de emprego no mês, mais do que compensando a destruição de 133 mil postos de trabalho no mês anterior (revisado a partir dos -92 mil anteriormente divulgados) e acima dos 65 mil esperados pelo mercado. A taxa de desemprego no período passou de 4,4% para 4,3%, ainda abaixo do pico do indicador registrado em novembro de 2025 (4,5%).


Apesar do reaquecimento do mercado de trabalho, os dados mostraram moderação na pressão inflacionária vinda dos salários. Os ganhos por hora na comparação anual recuaram de 3,8% para 3,5% entre fevereiro e março. A variação segue acima da meta de inflação (2%) e traz preocupação com os custos de serviços, mas em menor intensidade na comparação com os meses anteriores.
A importância dos dados do mercado de trabalho (payroll) é consenso entre os economistas. Os números medem, de forma bastante ampla, a temperatura da economia americana, seja do lado da atividade, seja do lado da inflação. No entanto, apesar da moderação das pressões salariais observada nos dados de março, há pouco espaço para queda de juros no curto prazo. O FED enfrenta um cenário bastante desafiador, com pressões inflacionárias relevantes vindas da elevação dos preços de commodities, principalmente do petróleo, em função dos conflitos no Oriente Médio.
