Primeiras Impressões: Prévia da inflação de setembro volta ao terreno positivo e supera as expectativas

Marcela Kawauti
Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A prévia da inflação ao consumidor, medida pelo IPCA-15, passou de -0,32% em agosto para +0,70% em setembro, acima dos 0,50% projetados pelo mercado. Foi a primeira surpresa altista do índice depois de dois meses de leituras abaixo das projeções.
O repique da variação mensal resultou de vários fatores, com sinais de reaceleração mais disseminada dos preços ao consumidor. A alta das passagens aéreas, após o recuo sazonal do mês anterior, levou o grupo Transportes de -1,00% para +0,60%, e o fim do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica elevou Habitação de -1,41% para +2,07%. Além desses movimentos, que devem ficar restritos a setembro, houve altas que podem se repetir nos próximos meses, o que eleva a preocupação com os riscos inflacionários. O grupo Alimentação e Bebidas avançou de -0,57% para +0,40% e Despesas Pessoais acelerou de 0,66% para 0,96%.
IPCA-15 e núcleos (variações em 12 meses)

No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 subiu de 4,24% para 4,47%, aproximando-se do teto do intervalo de tolerância da meta de inflação (4,50%). O subgrupo Alimentação no Domicílio acelerou de 2,68% para 3,73% e, na contramão, os Monitorados desaceleraram de 4,78% para 4,14%. Chama atenção a alta dos preços de Serviços, de 5,50% para 6,00%, sinal de que, mesmo com a moderação da atividade, a pressão de demanda segue presente.
IPCA-15 (headline e contribuição)

Em que pese a piora dos índices de preços, dados recentes de desaceleração da atividade, em especial dos setores cíclicos, diminuem a probabilidade de um repique mais intenso da inflação. Nosso cenário é de IPCA encerrando 2026 próximo de 5,0%, em linha com as projeções do Banco Central, com trajetória de moderação do IPCA ao longo de 2027.
