Comunicado do FOMC | Primeiras Impressões: Banco Central Americano corta os juros para o intervalo entre 3,50% e 3,75% a.a.; próximos passos estarão dependentes de dados
Por Marcela Kawauti – Economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Em linha com o consenso de mercado, o Banco Central americano decidiu pela terceira queda consecutiva nos FED Funds. O corte de 25 pontos-base levou os juros básicos do intervalo entre 3,75% e 4,00% a.a. para entre 3,50% e 3,75% a.a. A autoridade monetária também anunciou uma pequena injeção de liquidez por meio da compra de títulos de curto prazo para manter o suprimento de reservas.
Apesar da flexibilização dentro do esperado, houve três dissidências importantes. Stephen Miran votou a favor de uma queda de 0,50 p.p., repetindo a contrariedade das duas reuniões anteriores. Vale destacar que o dirigente acumula o cargo de assessor econômico da Casa Branca e tem demonstrado alinhamento com o presidente Donald Trump em defesa de taxas de juros mais baixas. Além disso, Jeffrey Schmid repetiu sua preferência pela manutenção dos juros no patamar anterior e, desta vez, foi acompanhado por Austan D. Goolsbee.
O FED não mudou sua análise em relação à economia americana e observou que o cenário segue bastante desafiador, com desaceleração importante do mercado de trabalho e aumento da taxa de desemprego, em meio a um ambiente de inflação mais alta. No entanto, as projeções dos membros do colegiado (os chamados dots) mostraram que as expectativas para 2026 estão melhores, com inflação mais fraca do que o esperado em setembro e atividade econômica mais forte. Com relação aos juros, a mediana de expectativas indica mais um corte no próximo ano, com os FED Funds terminando 2026 entre 3,25% e 3,50% a.a. (ponto médio de 3,40%).
Nesse cenário, o Banco Central afirmou que a extensão e o momento de ajustes adicionais serão avaliados de acordo com a evolução dos dados econômicos. Essa expressão foi usada em dezembro de 2024 para indicar uma pausa no ciclo de cortes em janeiro de 2025. Além disso, durante sua coletiva de imprensa, o presidente Jerome Powell indicou segurança com o patamar após três cortes de 0,25 p.p. neste ano, que se somam aos três cortes de mesma magnitude do ano passado, totalizando 150 bps. A tendência é, portanto, de manutenção dos juros no início de 2026, com um Banco Central fortemente dependente de dados para decidir pela retomada de cortes (o chamado wait and see).
